Úlceras nas pernas são feridas crônicas causadas, na grande maioria das vezes, por doença das veias ou das artérias. Tratar apenas o curativo, sem corrigir a causa, leva a um ciclo de cicatrização e reabertura que se arrasta por anos.
Úlceras venosas
São causadas pela dificuldade de retornar o sangue ao coração. O sangue fica estagnado e, devido à fragilização da região, qualquer pequeno trauma resulta em ferida, podendo evoluir para a condição crônica. Correspondem a cerca de 80% das feridas que acometem pernas e pés, sendo comuns ao redor dos maléolos — os ossos salientes do tornozelo.
Úlceras arteriais
A ferida se forma porque há obstrução das artérias: falta sangue rico em oxigênio e nutrientes para irrigar os tecidos, o que resulta em morte celular e nas lesões. Geralmente está associada à formação de placas de gordura na parede das artérias, ocasionando a diminuição ou a interrupção do fluxo sanguíneo. Costumam ser mais dolorosas, ter bordas bem delimitadas e localizar-se em pontos de pressão e nos dedos.
O tratamento em três frentes
- Definir a causa — Doppler venoso e arterial, medida do índice tornozelo-braquial e avaliação de diabetes e infecção
- Tratar a ferida — limpeza, desbridamento quando necessário, curativos adequados ao tipo de lesão e controle da infecção
- Corrigir a circulação — terapia compressiva e tratamento do refluxo nas úlceras venosas; revascularização nas úlceras arteriais
Compressão em úlcera arterial pode ser perigosa
A terapia compressiva é o pilar do tratamento da úlcera venosa, mas pode agravar uma úlcera de causa arterial. Por isso a avaliação vascular antes de iniciar qualquer bota ou bandagem compressiva é indispensável.
Depois de cicatrizar
Fechar a ferida é metade do trabalho. Sem tratar o refluxo venoso e sem manter a compressão, a taxa de reabertura é alta. O acompanhamento continuado e a correção definitiva das varizes são o que transforma a cicatrização em resultado duradouro.

