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Doença

Pé diabético

No pé diabético, dois problemas se somam: a perda de sensibilidade, que esconde a lesão, e a circulação reduzida, que impede a cicatrização.

Pé diabético — Dr. João Paulo Martins

O diabetes de longa data afeta os nervos e as artérias. A neuropatia diminui a sensibilidade — o paciente não sente o calçado apertado, a bolha, o corte. A doença arterial reduz o aporte de sangue ao pé, e sem sangue não há cicatrização. Uma pequena lesão pode, assim, evoluir para infecção profunda em poucos dias.

Sinais que exigem avaliação rápida

  • Qualquer ferida, bolha ou rachadura que não cicatriza em poucos dias
  • Vermelhidão, calor, inchaço ou secreção com odor
  • Áreas de calo espesso, especialmente com ponto escuro no centro
  • Mudança de cor de um dedo — pálido, arroxeado ou escurecido
  • Dor no pé em repouso, principalmente à noite
  • Perda de sensibilidade ou formigamento persistente

A avaliação vascular

No paciente diabético é indispensável avaliar a circulação arterial do pé. Se houver obstrução significativa, nenhum curativo cicatrizará a ferida sem que a irrigação seja restabelecida — por angioplastia ou por cirurgia de revascularização. Vale lembrar que, em diabéticos, a calcificação das artérias pode falsear a medida do índice tornozelo-braquial, exigindo métodos complementares.

Cuidados diários que previnem

  • Inspecionar os pés todos os dias, inclusive entre os dedos e a sola, com espelho se necessário
  • Lavar com água morna — testada com a mão, nunca com o pé — e secar bem entre os dedos
  • Hidratar o dorso e a sola, evitando a região entre os dedos
  • Nunca andar descalço, nem dentro de casa
  • Verificar o interior do calçado antes de calçar
  • Cortar as unhas retas e evitar remover calos por conta própria
  • Manter o controle glicêmico e comparecer às avaliações periódicas

Um pé diabético avaliado cedo raramente vira amputação

A maioria das amputações em pacientes diabéticos é precedida por uma úlcera que poderia ter sido tratada. Diante de qualquer ferida no pé, procure avaliação — não espere.

Dr. João Paulo Martins Campos
Dr. João Paulo Martins CamposAngiologia e Cirurgia Vascular · CRM-MG 56701 · RQE 47655

Dúvidas

Perguntas frequentes

Todo diabético vai ter problema no pé?

Não. O risco aumenta com o tempo de doença e com o descontrole glicêmico, mas o cuidado diário e as avaliações periódicas reduzem muito a chance de complicação.

Posso fazer os pés na manicure?

Com cuidado e avisando sobre o diabetes. Evite remoção agressiva de cutícula e de calos, e prefira profissionais habituados a pacientes diabéticos.

Com que frequência avaliar os pés com um médico?

Ao menos uma vez por ano em pacientes sem alteração, e com intervalos bem menores quando já existem neuropatia, deformidades ou doença arterial.

Perder a sensibilidade é normal com o tempo?

É comum, mas não é inofensivo. A perda de sensibilidade é justamente o que permite que uma lesão passe despercebida, e exige redobrar os cuidados diários.

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